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Psicanálise Decolonial: por uma psicanálise implicada

A psicanálise decolonial é uma nova perspectiva que busca ampliar o entendimento dos processos psíquicos considerando as interseções entre colonialismo, racismo, sexismo e outras formas de opressão. Isso implica em questionar as hierarquias de conhecimento e valorizar os saberes e práticas ancestrais, indígenas e afrodescendentes, que foram historicamente desconsiderados ou subjugados. Essa perspectiva desafia as noções de universalidade e neutralidade presentes na psicanálise convencional, reconhecendo que as experiências individuais e coletivas são atravessadas por contextos históricos, culturais e sociais específicos que devem ser levados em consideração no processo de análise.


Os corpos não dominantes são, ainda hoje, alvo de um processo de patologização e marginalização pelo discurso hegemônico que prega a aniquilação das diferenças por meio de instrumentos de poder e violência. Nesse sentido, a psicanálise decolonial busca promover uma escuta sensível à essas questões, possibilitando com que esses sujeitos possam falar livremente sobre sua história e os efeitos psíquicos desses atravessamentos. Ela também convida os profissionais a examinarem criticamente seus próprios privilégios e preconceitos, promovendo um espaço terapêutico que não reproduza a lógica colonial.


Além disso, a psicanálise decolonial busca colaborar com outras disciplinas e movimentos sociais, buscando construir pontes entre teoria e prática, academia e comunidade. Isso envolve a criação de espaços de diálogo intercultural e interdisciplinar, onde diferentes perspectivas podem convergir para uma atuação política mais abrangente e eficaz.


Em suma, a psicanálise decolonial representa um convite para repensar profundamente as bases epistemológicas e éticas da psicanálise, reconhecendo a necessidade de decolonizar não apenas o pensamento individual, mas também as estruturas institucionais e sociais que perpetuam a desigualdade e violência. É um movimento em direção a uma prática terapêutica mais ética, compassiva e transformadora, que respeita e valoriza a diversidade humana em toda a sua complexidade.




 
 
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